
Dentistas de Rio Preto e região estarão reunidos na sede da APCD (Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas / Rio Preto) dos próximos dias 20 a 22 de maio para discutir um problema de saúde pública que afeta cada vez mais a população: o câncer bucal.
Um dos problemas de saúde que mais cresce no país atualmente, o câncer bucal está a frente dos tumores de garganta, intestino e estômago, e ficando ao lado de casos como colo de útero. São 15 mil novos casos por ano e, o pior, em 80% deles a descoberta é tardia, quando o tratamento é mais difícil, as chances de recuperação mais limitadas e resultado em várias mutilações funcionais como perda da mandíbula, língua, palato, fala ou capacidade de deglutição.
De acordo com o dentista Hélio Massaiochi Tanimoto, do Departamento de Câncer Bucal do Hospital do Câncer de Barretos, o principal motivo que eleva o risco de mortalidade do câncer bucal é o diagnóstico tardio.
Sem dor ou grandes alterações em sua fase inicial, o câncer bucal se manifesta através de pequenas manchas ou verrugas indolores que não levantam suspeita no paciente. A ausência da prática de examinar a cavidade bucal também é um agravante. Assim, o principal agente na detecção da doença são os dentistas, que têm condições e capacidade de detectar alterações na mucosa da boca já em seu surgimento.
Pensando nisso, a Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas de Rio Preto vai oferecer um simpósio especial para tratar do assunto na 9ª Jornada Odontológica da instituição, trazendo para o debate a equipe médica responsável pelo tratamento do câncer bucal no Hospital do Câncer, de Barretos.
Para atingir um maior número de dentistas da região, um convite especial foi feito às prefeituras da região de Rio Preto para que encaminhem seus profissionais que atendem a população em UBSs e postos de saúde para participarem do programa, visando detectar o câncer bucal o mais precocemente em toda a população.
Fumo, álcool e alta de higiene são agentes que levam ao câncer bucal
Além do fumo e o álcool, vilões já reconhecidos como elementos cancerígenos, a má higienização bucal é um agravante para o surgimento dos casos de câncer de boca. O histórico familiar da doença também soma no aparecimento de novos casos.
A dona de casa Maria Ortega, 74, descobriu a doença há 12 anos depois que uma pequena verruga no “céu da boca” apresentou sangramento súbito.
A descoberta da doença fez com que se submetesse a um ano de tratamento quimio e radioterápico, além de uma cirurgia extremamente invasiva que resultou na retirada de estrutura óssea e palatar, mais tarde recuperada com próteses e outras cirurgias.
Mesmo sem nunca ter fumado ou bebido, dona Maria descobriu o tumor em fase avançada, o que dificultou o tratamento.
Hoje, recuperada, não descuida da saúde bucal e analisa constantemente a possibilidade do surgimento de novas lesões, com retornos semestrais à equipe médica que fez seu tratamento.